sexta-feira, 6 de novembro de 2009

MATÉRIA NO SITE PARANÁ ONLINE SOBRE MARIDO DE ALUGUEL


04/11/2009 às 11:52:00 - Atualizado em 04/11/2009 às 14:09:52
Marido de aluguel dá fim aos problemas domésticos



O encanamento que estourou, o chuveiro que queimou, paredes que precisam de retoques e o cachorro que precisa sair de casa para o passeio diário. Para resolver todas essas tarefas e outra lista de atividades há sempre um marido de aluguel. Isso mesmo, o serviço delivery funciona como um disque-pizza, disque-água ou disque-táxi, mas com o nome de disque-marido.E não é uma exclusividade das mulheres, os homens também podem ter a vida facilitada com o atendimento do profissional. O serviço tira das costas do marido a obrigação do macho provedor que também precisa dar conta dos afazeres domésticos, e livra os solteiros, homens e mulheres, da desvantagem de contar com um parceiro cheio de atributos domésticos.
"Não ter um marido é opção, mas ter que consertar portas e encanamentos é mais complicado. Ligo no disque-marido e digo adeus aos transtornos", diz a atriz Ana Paula Santos, 35 anos. Eficiente e rápido, o aluguel de maridos socorre homens e mulheres, casados ou solteiros, das situações mais adversas e tem ganhado cada vez mais adeptos, mas também não fica livre de preconceitos. "O problema é que homens e mulheres esperam do outro a imagem de ideal da sociedade machista. Quando há uma mudança de funções para a qual os homens não foram preparados, é natural o estranhamento", explica a psicóloga Patrícia Bader.
Marido oficial x Marido de aluguel
Para alguns homens, perder o posto do macho provedor, que faz de tudo um pouco, para um estranho pode ser frustrante. "Ele pode até não ajudar nas tarefas domésticas, mas na hora em que dá de cara com um marido de aluguel, se sente trocado, substituído. Mesmo que seja para não fazer nada, ele enxerga que o papel de homem da casa é dele e só ele pode ocupar aquele espaço. Chega a ser inconsciente", explica ela.Por outro lado, conta a psicóloga, muitos maridos preferem que a esposa contrate alguém, para poupá-lo das obrigações domésticas do dia a dia. "Nestes casos, o marido não tem a necessidade de reafirmar o papel do provedor e tem segurança de sua importância na vida da esposa. É uma questão cultural e de personalidade", continua a psicóloga. "Meu marido não se importa, acho até que se sente aliviado por se ver livre de aparar a grama do quintal", conta a dona de casa Maria Júlia, 43 anos, casada há 8 anos com José Luiz.
Solteiros e solteiras em apuros
Mas são os solteiros e solteiras, que moram sozinhos e vivem às voltas com pequenas responsabilidades domésticas, os campeões de ligações no disque-marido. "Independente do sexo, os solteiros procuram muito nossos serviços. Eles ligam desesperados querendo um super-homem para livrá-los do sufoco e geralmente precisam de coisas simples que seriam resolvidas com um pouquinho de tempo e jeito", explica Alexandre Ortega, diretor técnico da empresa Pra que marido. "É uma maneira de manter a casa em ordem sem ter que recorrer aos familiares ou amigos", explica Patrícia.
Eles
"Na maioria dos casos, os homens que nos procuram são casados e trabalham fora o dia inteiro", explica Alexandre. "Como não têm tempo, nos contratam para executar tarefas domésticas masculinas das quais as empregadas não dão conta", continua. "Como elas não podem ou não sabem fazer o serviço mais braçal, entramos em ação", diz Alexandre.
Elas
De acordo com Alexandre Ortega, as mulheres são maioria absoluta entre os clientes do serviço. "Elas acabaram vendo no serviço uma forma de independência. Quando precisam de ajuda, não precisam pedir a ninguém, basta ligar e contratar o marido de aluguel", continua Alexandre.Para a psicóloga Patrícia Bader, mais que um apoio doméstico braçal, o marido de aluguel, é um sinal de que os tempos mudaram e de que as mulheres não precisam mais ficar na barra da saia dos homens da sua vida. "Agora, elas são independentes até para resolver as tarefas do universo doméstico consideradas masculinas.
É importante para a ala feminina ter a liberdade de contar com a presença masculina por vontade, e não por necessidade", explica a psicóloga. "O homem ideal que povoa o imaginário feminino é o oposto do marido de aluguel. As mulheres sonham, culturalmente falando, com homens que tragam flores e não com parafusos, mas no fundo no fundo, elas querem proteção, independente do perfil".
Os maridos podem ficar tranquilos. De acordo com Patrícia Bader, o fato da esposa contratar um marido de aluguel não significa, necessariamente, que ela ache o marido acomodado ou descartável. "Muitas vezes, a atitude que incomoda tanto os maridos foi tomada na tentativa de colaborar com a rotina deles para não sobrecarregá-los", diz.

terça-feira, 23 de junho de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Matéria do Jornal Folha de Londrina


O técnico-mecânico Geraldo entrou na profissão por incentivo da noiva, Joice, depois de ficar desempregado.


Carreira de faz-tudo também pede atualização Especialização, confiança e uma dose farta de educação são as exigências para o sucesso na área dos "maridos de aluguel" Serviços de manutenção doméstica estão em voga no mercado de trabalho. O faz-tudo é um profissional cada vez mais valorizado por atuar com pequenos reparos que muitas vezes causam enormes transtornos. O nome moderno para a atividade é ''marido de aluguel'' - um marketing bem sucedido inspirado no modelo da empresa americana Rent a Husband (Alugue um Marido) fundada em 1996. No Brasil, a idéia está presente em diversos Estados. No Paraná há exemplos na capital e no interior. Na internet e nos jornais é possível encontrar dezenas de anúncios oferecendo os préstimos de eletricista, encanador, pintor, reparador e tudo o mais que estiver precisando de conserto em casa. Mas um alerta para os candidatos à profissão: para ser um faz-tudo não basta a curiosidade. A educação, cumprimento de prazos, segurança e qualificação profissional são exigências da clientela. A nutricionista Michele Guerra encontrou o marido de aluguel Geraldo Dengler pelo blog dele (www.maridodealuguel-sosquebragalho.blogspot.com). ''Como havia fotos dele, eu senti mais segurança em contratá-lo'', explica. Ela ressalta que ter uma única pessoa para a manutenção geral evita a rotatividade de profissionais dentro de casa e ganho de tempo. ''As minhas solicitações de pintura e instalações ficaram prontas no prazo combinado, no capricho e hoje ele é de minha total confiança'', afirma. Dengler atua como quebra-galho (como gosta de se autointitular) desde que perdeu o emprego como técnico-mecânico há um ano e meio. A ideia partiu da noiva, Joice Batista, para aproveitar o talento dele já aprovado por parentes e amigos e também a experiência obtida em cursos no exterior. O primeiro passo foi montar o blog para dar maior credibilidade e transparência ao trabalho. Dengler afirma que investir faz parte da construção profissional. ''Carro, ferramentas variadas de qualidade e participar constantemente de cursos para atualização são imprescindíveis para se trabalhar direito''. Dengler lembra que há muitos profissionais no mercado que se recusam a fazer pequenos reparos porque consideram que vão lucrar mais com obras grandes. ''É uma das queixas que mais escuto'', afirma. Na contramão da história ele prova que está em uma atividade rentável. Com cerca de 100 atendimentos por mês, ele não revela o quanto ganha, mas admite que não voltará para atuação anterior. Ele e Joice estão em processo de abertura de empresa com o objetivo de expandir os atendimentos e contratar equipe. ''Sabendo trabalhar direito, dando garantia do que faz e sendo honesto, não falta serviço. Um indica outro'', comemora. Cerca de 80% do público é formado por mulheres. ''Os homens não têm mais vergonha em assumir que não sabem fazer algum tipo de reparo'', comenta. Dengler cobra por orçamento, mas já o colega de profissão Emerson Juliano, prefere cobrar por hora - R$ 25 - e atende apenas com o mínimo de duas de prestação de serviços. Ele é engenheiro cartográfico e aprendeu a função de ''marido'' no dia-a-dia. Há quase dois anos na atividade, ele trocou o escritório pela trabalho na rua. ''Tem que estar sempre limpo, ser pontual, discreto e mostrar que é uma pessao de confiança logo no primeiro encontro'', conta. Emerson também foi incentivado pela companheira. É a esposa que cuida dos anúncios e controla a agenda.
Cláudia PalaciEquipe da Folha