segunda-feira, 23 de março de 2009

Matéria do Jornal Folha de Londrina


O técnico-mecânico Geraldo entrou na profissão por incentivo da noiva, Joice, depois de ficar desempregado.


Carreira de faz-tudo também pede atualização Especialização, confiança e uma dose farta de educação são as exigências para o sucesso na área dos "maridos de aluguel" Serviços de manutenção doméstica estão em voga no mercado de trabalho. O faz-tudo é um profissional cada vez mais valorizado por atuar com pequenos reparos que muitas vezes causam enormes transtornos. O nome moderno para a atividade é ''marido de aluguel'' - um marketing bem sucedido inspirado no modelo da empresa americana Rent a Husband (Alugue um Marido) fundada em 1996. No Brasil, a idéia está presente em diversos Estados. No Paraná há exemplos na capital e no interior. Na internet e nos jornais é possível encontrar dezenas de anúncios oferecendo os préstimos de eletricista, encanador, pintor, reparador e tudo o mais que estiver precisando de conserto em casa. Mas um alerta para os candidatos à profissão: para ser um faz-tudo não basta a curiosidade. A educação, cumprimento de prazos, segurança e qualificação profissional são exigências da clientela. A nutricionista Michele Guerra encontrou o marido de aluguel Geraldo Dengler pelo blog dele (www.maridodealuguel-sosquebragalho.blogspot.com). ''Como havia fotos dele, eu senti mais segurança em contratá-lo'', explica. Ela ressalta que ter uma única pessoa para a manutenção geral evita a rotatividade de profissionais dentro de casa e ganho de tempo. ''As minhas solicitações de pintura e instalações ficaram prontas no prazo combinado, no capricho e hoje ele é de minha total confiança'', afirma. Dengler atua como quebra-galho (como gosta de se autointitular) desde que perdeu o emprego como técnico-mecânico há um ano e meio. A ideia partiu da noiva, Joice Batista, para aproveitar o talento dele já aprovado por parentes e amigos e também a experiência obtida em cursos no exterior. O primeiro passo foi montar o blog para dar maior credibilidade e transparência ao trabalho. Dengler afirma que investir faz parte da construção profissional. ''Carro, ferramentas variadas de qualidade e participar constantemente de cursos para atualização são imprescindíveis para se trabalhar direito''. Dengler lembra que há muitos profissionais no mercado que se recusam a fazer pequenos reparos porque consideram que vão lucrar mais com obras grandes. ''É uma das queixas que mais escuto'', afirma. Na contramão da história ele prova que está em uma atividade rentável. Com cerca de 100 atendimentos por mês, ele não revela o quanto ganha, mas admite que não voltará para atuação anterior. Ele e Joice estão em processo de abertura de empresa com o objetivo de expandir os atendimentos e contratar equipe. ''Sabendo trabalhar direito, dando garantia do que faz e sendo honesto, não falta serviço. Um indica outro'', comemora. Cerca de 80% do público é formado por mulheres. ''Os homens não têm mais vergonha em assumir que não sabem fazer algum tipo de reparo'', comenta. Dengler cobra por orçamento, mas já o colega de profissão Emerson Juliano, prefere cobrar por hora - R$ 25 - e atende apenas com o mínimo de duas de prestação de serviços. Ele é engenheiro cartográfico e aprendeu a função de ''marido'' no dia-a-dia. Há quase dois anos na atividade, ele trocou o escritório pela trabalho na rua. ''Tem que estar sempre limpo, ser pontual, discreto e mostrar que é uma pessao de confiança logo no primeiro encontro'', conta. Emerson também foi incentivado pela companheira. É a esposa que cuida dos anúncios e controla a agenda.
Cláudia PalaciEquipe da Folha